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Dicas para você enfrentar (ou não) o mar sob mau tempo

Quando vem o temporal: Dicas para você enfrentar (ou não) o mar sob mau tempo…

Ondas gigantes? Mar agitado? Raios por todos os lados? Veja o que fazer quando, de repente, o céu vira um inferno

Da revista Náutica nº199

O céu está azul. O mar acena tranqüilo e convidativo. Você, então, parte para navegar, despreocupado. Em poucos minutos a terra fica para trás. Mas, de repente, tudo muda. O mar fica alto, com ondas salientes. O céu oscila entre o cinza-chumbo e o preto; o prazer virou medo; a brisa, vendaval.

A cena é de provocar arrepios. E agora? O que fazer? O melhor, é claro, seria ter evitado tudo isso, buscando informações meteorológicas bem antes de zarpar. Mas, como agora não adianta mais lamentar, é preciso ter calma mas agir rápido! Fazendo o quê? É o que você vai ver.

Numa tormenta, é melhor navegar a favor do vento e das ondas. Mas em mar muito agitado, deve-se fazer o contrário: ir contra as ondas, em ângulos de 30 a 45 graus

O que fazer?
Se o seu barco for pequeno?
Uma estrutura frágil e de pequeno porte, como uma lancha de 16 pés, não poderá enfrentar o alto mar agitado. Nesse caso, reza a prudência levá-lo de volta à costa, ainda que correndo riscos de danificá-lo ou encalhá-lo na areia.

Se o seu barco for grande?
Um barco de porte deve fazer exatamente o contrário e ficar bem longe da costa. Ocorre que o mau tempo diminui a visibilidade, dificulta o comando das embarcações maiores, e mesmo para navegadores experientes, há o perigo de acidentes nas pedras.

Se o barco adenar demais?
Coloque a bochecha da embarcação (a curvatura do bordo na proximidade da proa) num ângulo de cerca de 45 graus em relação às ondas, porque tal manobra diminui o impacto e ainda cria uma zona calma a barlavento.

Se as ondas forem grandes?
Navegue num ângulo de 45 a 60 graus, tomando cuidado para não embicar. Se tiver de navegar contra elas, a tática é subir e descer em baixa velocidade. Ou seja, as ondas vão passar e você permanecerá praticamente no mesmo lugar. Caso contrário, o casco pode não agüentar o tranco ou o motor pode pifar.

Se o barco for um veleiro?
Rize as velas, ou seja, diminua a área vélica em ação. Feito isso, decida se vai enfrentar o mar ou optar por um recuo estratégico. Se você não tiver nenhum compromisso inadiável, volte rápido.

Se não der para ver nada?
Antes que a visibilidade piore por completo, defina a sua posição, pois, em más condições de tempo, a navegação poderá ter de ser feita somente pelo GPS e bússola. Por isso, é fundamental uma carta náutica da região ou, ao menos, conhecê-la muito bem.

Se o mar estiver muito agitado?
No caso dos barcos cabinados, só devem ficar do lado de fora as pessoas indispensáveis ao seu comando — e, assim mesmo, equipadas com coletes salva-vidas e, eventualmente, até cintos de segurança. Não existe perigo maior do que cair no mar durante uma tempestade.

Se estiverem caindo raios?
Alguns barcos possuem pára-raios, o que diminui bastante a possibilidade de algum acidente. Porém, durante a tempestade, evite tocar em metais.

O que convém ter no barco?
Tão importante quanto checar o próprio equipamento é conhecê-lo bem. Portanto, antes de sair para um fim de semana no mar, verifique e teste o estado de todos os instrumentos e objetos a bordo. Comece conferindo os instrumentos de navegação e lembrando sempre que os imprescindíveis são a bússola, o termômetro e o barômetro. Inclua também nos itens básicos um GPS e um rádio ligado nas freqüências internacionais de socorro e que funcione mesmo molhado — e isto além dos usuais rádios VHF e HFSSB, com baterias independentes.

Num veleiro, um mastro quebrado pode furar o casco e provocar o naufrágio. Por isso, é necessário ter a bordo pelo menos um alicate especial de corte, com capacidade para partir o maior cabo do barco, caso o mastro quebre. Também não esqueça de levar um conjunto de velas de tempestade (storm jib e trysail), âncora flutuante, leme sobressalente e um refletor de radar.

Já fogos pirotécnicos, coletes salva-vidas, bóias circulares e caixa completa de primeiros socorros são obrigatórios e realmente indispensáveis. Convém, porém, ainda levar no barco uma balsa auto-inflável, com seu respectivo equipamento de emergência.

Leve também galões de água, mas nunca totalmente cheios, porque assim eles simplesmente afundariam no caso de uma queda na água. Por último, leve roupas quentes. Molhado, todo mundo sente frio.

Previna-se: Assim como coletes salva-vidas, é quase obrigatório ter
no seu barco fogos pirotécnicos, bóias circulares e uma caixa completa de primeiros socorros

Isto ou aquilo?
Algumas boas respostas para dúvidas que podem ser fatais

Ir contra ou a favor do vento?
Em 90% dos casos, navegar a favor das ondas e do vento é a melhor opção. Só se o mar ficar muito agitado é que navegar a favor pode ser pior, já que receber as ondas pela popa pode deixá-lo incontrolável. Neste caso, deve-se navegar contra as ondas, mas com ângulos de 30 a 45 graus em relação a elas. Mas tome muito cuidado para o barco não embicar.

Ficar no barco ou abandoná-lo?
Jamais saia do barco — só mesmo se ele estiver afundando! O exemplo da famosa Admiral’s Cup de 1979 ainda permanece como uma grande lição. Um furacão varreu a regata e muitos competidores optaram por abandonar seus veleiros. Passada a tempestade, havia mortos, mas a maioria dos barcos estava intacta, como se nada tivesse acontecido.

Ir rápido ou devagar?
No caso de uma lancha, vá devagar. Se for rápido demais, você poderá embicar e encher o barco de água. Já num veleiro, a velocidade não altera muito. Apesar do vento ser normalmente mais forte, as velas estarão rizadas, tornando a área vélica — e, conseqüentemente, a velocidade — menores.

Ancorar ou avançar?
Avançar dará maior controle da situação, pois pode-se negociar o melhor rumo e velocidade para passar as ondas. Já quem ficar parado só tomará na cabeça.

Deixar o motor ligado ou desligá-lo?
Ligado, sempre! No caso de um veleiro, o motor ligado pode ser útil para auxiliar as velas quando for obrigado a navegar no contravento. Mesmo se o barco estiver ancorado, o motor poderá ser útil para compensar a intensidade do vento e das ondas na âncora.

Ir para perto da
costa ou para alto-mar?
Se o seu barco for pequeno, ele não poderá seguir para o alto-mar. Portanto, leve-o de volta à costa e procure águas mais abrigadas. Já com um barco grande, é obrigatório afastá-lo da costa, porque quanto mais perto mais perigoso.

Fonte: Nautica

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